Arte com compensado

O uso da madeira compensada na construção é indispensável e na Arte de Henrique Oliveira também.

Seja para a construção de fôrmas na concretagem de estruturas, na montagem de tapumes ou em bandejas de proteção. O uso do compensado nas construções é fundamental.

Existe uma preocupação do impacto que esse material construtivo tem na natureza e, por isso, madeiras de reflorestamento são empregadas em sua produção.

Há também um incentivo de que os compensados sejam reutilizados no canteiro de obras o maior número de vezes possível, por terem em sua composição resinas e adesivos resistentes que propiciam o máximo aproveitamento das chapas.

Mas para onde vai o compensado ao se tornar resíduo construtivo?


Baitogogo (2013). Palais de Tokyo, Paris, França.

O artista brasileiro Henrique Oliveira tem dado um belíssimo destino para a madeira compensada proveniente dos canteiros de obra: arte.


Tapumes (2009). Rice Gallery, Houston, Estados Unidos.

Ao misturar pintura e instalações tridimensionais, feitas de compensados, suas obras causam impacto.


Tapumes, Casa dos Leões (2009). VII Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil.


Bololô (2011). Smithsonian National Museum of African Art, Washington, D.C, Estados Unidos.

A flexibilidade da madeira e sua plasticidade, obtida em conjunto de outros materiais: tubos de PVC, papelão e parafusos, proporcionam a criação das mais complexas formas.


Carambóxido (2012). Museum of Contemporary Art Cleveland, Cleveland, Estados Unidos.


Prolapso das Ursulinas (2012). OK Center, Linz, Áustria.

Como se pinceladas, as lascas das chapas se sobrepõem. O compensado torna-se novamente material construtivo ao revestir as peças, ou como diz o artista, uma “epiderme urbana”.


Desnatureza (2011). Gallerie Vallois, Paris, França.

Henrique explora o volume e as cores do compensado. Tons de marrom, ocre, branco, azul e o tradicional rosa – da anilina usada na fabricação do compensado resinado.


Sem título (2011) Boulder Museum of Contemporary Art, Boulder, Estados Unidos.

As diferentes camadas da madeira compensada e veios, presentes nas peças, transmitem movimento às obras.

TRANSARQUITETÔNICA

 

Transarquitetônica (2014) Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

A obra tem nome inspirado na Rodovia Transamazônica e foi pensada especialmente para a sala e edifício projetados por Oscar Niemeyer – no Museu de Arte Contemporânea da USP.


Transarquitetônica (2014) Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Oliveira proporciona ao visitante uma viagem temporal, através de um trajeto que serpenteia as colunas da sala, de 1.600 m², formando uma transição entre museu e natureza.

Um cubo branco, em uma extremidade, e galhos da natureza na outra são percorridos por instalações de taipa e alvenaria que remetem a abrigos e cavernas do passado.

Seis viagens de caminhão foram feitas para descarregar as chapas de compensado e os galhos de árvore necessários para a instalação, além de 500 mil parafusos, cem litros de cola e 8 km de tubo PVC.

As instalações de compensado resgatam a origem do material: a natureza, ao assumir formas orgânicas que culminam em galhos de árvores.

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